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quarta-feira, 8 de outubro de 2014

1. Existe o brinquedo certo para cada faixa etária?
É claro que uma criança de 3 anos pode se encantar por um chocalho de recém-nascido ou, ao contrário, que um recém-nascido é capaz de ficar excitadíssimo ao ver as luzes ou o som de um carrinho motorizado feito para meninos com mais de 5 anos. No entanto, existem alguns brinquedos fundamentais para cada fase do desenvolvimento infantil. Quando expostas a tais objetos, meninos e meninas podem descobrir e aprimorar habilidades motoras, sensoriais e emocionais. 

- Enquanto são bebês (dos zero aos 23 meses), o desenvolvimento ocorre de forma muito acelerada. Cada mês é uma descoberta. Logo no início, brinquedos que estimulam a audição e a visão, como móbiles e chocalhos, são os mais indicados. Em seguida, entram em cena peças para encaixe, que estimulam a coordenação motora por tentativa e erro, e os bonecos;
- Dos 2 aos 6 anos, as crianças vivem a chamada primeira infância, onde tudo amadurece. Entram nessa fase com uma coordenação motora que permite um andar meio atrapalhado e saem andando de bicicleta sem rodinhas, escrevendo. Começam num faz de conta simples e saem criando altas histórias. Jogos simples que envolva interação com o outro, jogos que permitam explorar o corpo, bonecos, miniaturas do mundo adulto e ainda os blocos de encaixar são fundamentais;
- A partir dos 7 anos, a escola ocupa um importante espaço na vida dos meninos e meninas. Kits científicos que transmitam conceitos escolares de forma lúdica fazem sucesso. Além disso, suas capacidades cognitivas já estão prontas para jogos que exijam raciocínio e estratégia.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

CRIANÇAS SEM ROTINA PARA DORMIR APRESENTAM MAIS PROBLEMAS COMPORTAMENTAIS.



Pesquisa mostra que dormir em horários diferentes pode prejudicar o relógio biológico do seu filho e aumentar as chances de hiperatividade e ansiedade no futuro


crianca_dormindo (Foto: ThinkStock)

Pesquisadores analisaram a rotina de sono de 10.230 crianças aos 3, 5 e 7 anos. Depois de compilar todos os dados e analisar questionários respondidos pelos pais e professores, os cientistas perceberam que ter horários irregulares para dormir afeta o relógio biológico da criança e, consequentemente, o funcionamento do corpo. As mudanças aparecem logo no humor e no apetite, mas não param por aí.
Você já deve ter ouvido muitas vezes a importância de manter uma rotina antes de colocar seu filho para dormir. Um estudo britânico publicado na revista científicaPediatrics acaba de reforçar, mais uma vez, os benefícios de manter os horários das crianças à noite.
A longo prazo, crianças sem rotina de sono tiveram notas mais baixas em testes que mediram a capacidade de resolver problemas e mais chances de desenvolver hiperatividade e problemas emocionais, como ansiedade e envolvimento em brigas com colegas.
Segundo os cientistas, as mudanças na hora de dormir são semelhantes aos efeitos do jetlag, aquele cansaço que você sente após uma viagem, sabe? E assim como o seu sono se altera após um voo longo, o mesmo acontece com seu filho, que sofre com os efeitos.
Mas, se aí na sua casa não há um esquema certinho para o momento de descanso das crianças, aqui vai uma boa notícia. Todos esses prejuízos são reversíveis. Ou seja, assim que você conseguir estabelecer os horários, seu filho vai melhorar as notas e ter menos chances de desenvolver problemas de comportamento.
Vamos lá, então? A pediatra Marcia Pradella-Hallinan, do Instituto do Sono da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), orienta que duas horas antes de seu filho ir para a cama, você sirva o jantar (para dar tempo de a refeição ser digerida) e diminua o ritmo da casa. Um banho também ajuda a acalmar. Melhor trocar a TV, o videogame ou os tablets por brincadeiras mais calmas e pela leitura de um livro.
Na hora de colocá-lo para dormir, vista o pijama e ofereça um pouco de leite (ou amamente, no caso dos menores). Com ele já deitado na cama ou no berço, conte uma história  (inventada também vale...). Uma música calminha ou até mesmo cantada por você pode fazer parte deste momento.

Quando já estiver quase dormindo, dê um beijinho de boa noite e deixe-o adormecer sozinho.
Pode ser que seu filho demore para se adaptar à rotina. Isso é normal. O importante é se manter firme e repetir a técnica por pelo menos 15 dias antes de fazer qualquer mudança. Aos poucos, por já saber o que esperar, a criança fica mais segura e, com certeza, vai dormir melhor.

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

COMPORTAMENTO INFANTIL



Listamos algumas situações em que os pais se perguntam como proceder ou como resolver tudo da melhor maneira possível.
O que fazer quando seu filho morde o amiguinho, dá tapas em você ou se atira no chão e começa a gritar? A ideia, claro, é sempre optar pelo caminho da boa educação. Para isso, conversamos com alguns especialistas, que sugerem maneiras de como lidar com o pequeno –seja um bebê, seja uma criança pequenina – diante desses comportamentos.
Decifrar o comportamento infantil não é tarefa fácil para os pais. A busca por respostas costuma esbarrar na maneira como eles criam os filhos, na quantidade de “nãos” que conseguem dizer a eles, nos limites que são capazes de impor.
Muitas vezes, os adultos intuem como devem agir, mas o medo de frustrar as crianças acaba resultando em resignação. “Elas são assim mesmo”, dizem. Realmente, crianças têm atitudes-padrão em cada fase da vida, mas isso não significa que os adultos tenham de acatar ordens e aceitar todos os ataques como naturais no processo de desenvolvimento. Para ajudar os pais a agir nesses momentos difíceis, procuramos especialistas em educação e comportamento infantil, que sugerem alguns caminhos.

Até os 2 anos de idade

1. Meu filho tem a mania de morder as pessoas. Como mostrar a ele que isso é errado?

“É até esperado pelos profissionais que lidam com crianças que elas façam isso até os 3 ou 4 anos de idade, mas os adultos não podem permitir que mordam, porque machuca, é errado”, explica Silvia Amaral, pedagoga, psicopedagoga, coordenadora da Elipse Clínica Multidisciplinar e conselheira da Associação Brasileira de Psicopedagogia.

No momento em que seu filho morder um coleguinha ou qualquer outra pessoa, Silvia aconselha a boa e velha conversa olhos nos olhos. “Fique na mesma altura que a criança e fale firmemente que isso não pode nem deve mais acontecer porque machuca e dói. Os pais têm de deixar claro que não aprovam o comportamento porque, mesmo elas não tendo noções claras de certo e errado, não podem fazer tudo que querem”, diz ela.

Isso não significa que o comportamento não vá se repetir, mas todas as vezes em que isso ocorrer é necessário deixar clara sua posição. “Agora, se acontecer com frequência, toda semana, por exemplo, significa que a agressão está se tornando um hábito e é preciso buscar a ajuda de um profissional.”

2. O que faço para meu filho parar de chorar?

Para Vera Iaconelli, psicóloga e coordenadora do Instituto Gerar – Escola de Pais, antes dos 2 anos de idade, o choro nunca é de manha. “Nessa fase, a criança não tem recursos para isso, portanto o choro constante indica algum tipo de desconforto, físico ou emocional, que precisa ser investigado pelo médico. Como não sabe falar, o bebê usa o choro para demonstrar seu sofrimento.” A partir dos 2 anos, porém, a criança já percebe como pode manipular os pais e usa o choro para tentar conseguir o que deseja. “Eu acredito que uma das formas de ajudá-la a aprender a lidar com as frustrações seja não atendendo a seus desejos quando eles vêm junto com o choro de birra.”

3. Preferir a companhia do pai/mãe ou de outra pessoa em determinado momento significa que meu filho não gosta de mim?

Faz parte da natureza humana preferir a companhia de uma ou outra pessoa, e o ser humano aprende a demonstrar isso logo cedo. Os pais devem se preparar, pois os filhos sempre buscam a companhia de um ou outro por razões que nem sempre ficam claras. Se é para jogar bola, o menino geralmente chamará o pai, mesmo que a mãe adore futebol. Para ir ao cinema, pode preferir ir com a mãe ou a avó. Quando nenê, às vezes adora o colo de uma tia, embora nessa fase o mais comum seja desejar ficar com a mãe. “Os pais precisam ter maturidade para aceitar essa frustração, pois frequentemente os filhos vão querer estar longe deles, em especial quando crescerem. É difícil, mas eles sabem que criam os filhos para o mundo e um dia serão preteridos”, afirma Vera Iaconelli.

4. Como devo agir diante de um ataque de fúria do meu filho em locais públicos ou se ele chuta quando não é atendido?

A sugestão da psicopedagoga Silvia Amaral é você tentar impedir abraçando a criança por trás na tentativa de contê-la e mostrar sua contrariedade. Atenção: nunca dizer que você está contra ela, mas que o comportamento dela é errado, que você não aprova a maneira de ela agir. “Se não der resultado e ela não estiver correndo perigo, se batendo, por exemplo, sugiro que os pais se afastem. É melhor do que ficar perto, morrendo de vergonha do que as pessoas estão pensando de você como mãe e acabar cedendo. Ao perceber que os espectadores que importam não estão presentes, ela vai parar. Outra saída é pegá-la no colo e levar para o carro, gritando mesmo. Quando ela se acalmar, converse com ela, mas jamais volte para fazer a vontade dela.”

5. Devo intervir quando o caçula bate no irmão mais velho?

Sim, pois a agressão física não deve ser tolerada. É importante para a criança aprender a expressar a raiva ou o ciúme usando as palavras. Para a psicóloga, é importante que os sentimentos sejam transformados em palavras, e não em tapas. No caso de um bebê menor de 2 anos, os pais devem segurar sua mão e dizer que não pode bater, mostrar que o irmão está triste, que machuca. “Em vez de dizer à criança que ela ‘tem de’ gostar do irmão, o correto é sentar e tentar entender o que está acontecendo e explicar que você também sente ciúme, que é normal, mas que nem por isso sai estapeando os outros”, diz Vera. Aliás, este é um ponto importante: o do exemplo. Se você vive se gabando de ter descido a mão na engraçadinha que deu em cima do seu marido quando vocês ainda eram noivos, por exemplo, acha mesmo que pode dizer aos seus filhos para não usarem a força?

6. Meu filho adora dar tapas na cara e puxar o cabelo das pessoas. O que devo dizer a ele nessas horas?

Os pais costumam achar graça, mas as especialistas são unânimes: não permita que isso aconteça com você nem com ninguém. “Segure a mão do bebê, não ria, mostre com cara feia que você fica triste quando isso acontece, pois é observando a reação alheia que ele aprende a interpretar os sentimentos e a se colocar no lugar do outro. Fale sempre do seu sentimento. Nunca diga que a criança é má ou feia. E não caia na armadilha de revidar com palmada. Se fizer isso, estará reforçando o aprendizado da agressividade física, um mau exemplo”, diz a psicopedagoga Silvia Amaral.

7. Quando é contrariado, meu filho começa a gritar. Como posso mostrar que isso é errado?

Como você costuma reagir ao ser contrariada? Se leva uma fechada no trânsito, reage aos berros? Se você não consegue se controlar, a criança pode estar apenas repetindo o que vê. Pense nisso. Aceitar as frustrações é uma dificuldade grande hoje em dia para pais e filhos. Quantas vezes você não se frustra por não ganhar mais ou não ser reconhecida no trabalho como deveria? Aprender a lidar com os nãos da vida é fundamental para crescer. “Com uma criança maior, você pode fingir que não conhece e deixá-la gritando sozinha. Se for embora mesmo, vai ver que nunca mais ela vai repetir o papelão”, afirma Maria Irene Maluf, pedagoga especialista em educação especial e em psicopedagogia. No caso das pequenas, a saída é tentar acalmá-las. “Abrace a criança por trás, vá pedindo calma e faça sons como ‘shhh’ no ouvido dela. Aos poucos, os pais vão descobrindo o que funciona. O que não podem de jeito nenhum é aceitar o jogo”, fala Silvia.

8. Meu filho de 1 ano e 2 meses, quando irritado, bate a cabeça no chão ou na parede. Como devo agir?

Se a criança estiver correndo o risco de se machucar, é preciso segurá-la e interromper o ataque, abraçando por trás. Vale tentar a técnica de fazer o som de ‘shhh’ no ouvido e pedir calma. Se nada disso resolver e ela continuar a fazer escândalo, é preciso procurar o médico. “A autoagressão não é um comportamento aceitável e pode indicar sérios transtornos mentais, como a bipolaridade. É grave e precisa da avaliação de um psiquiatra. Há casos em que elas precisam dormir de capacete para não se ferir durante o sono”, explica a pedagoga Maria Irene Maluf.

9. Meu bebê de 1 ano e 2 meses vive fazendo pirraça. Devo mostrar a ele o que pode ou não? Ele já entende o conceito de certo e errado?

Ele ainda não distingue o certo e o errado, mas nessa idade já começa a perceber incoerências. “Quantas vezes as crianças nessa fase testam os pais? Ao fazerem algo, elas olham para eles, ouvem o não, fazem de novo até que o pai ou a mãe tome uma atitude para impedir o ato. E elas repetem isso muitas vezes, demonstrando ter certa noção do que é importante”, diz Silvia.

Maiores de 2 anos

10. Minha filha vive dando escândalos em locais públicos, como o shopping. Como devo repreendê-la?

Para Maria Irene Maluf, as crianças com esse tipo de comportamento recorrente são criadas sem limites e se sentem carentes de afeto e atenção. “Por não se sentirem amadas, elas tentam cada vez mais a chamar a atenção dos pais.” Isso não quer dizer que os pais não as amem, apenas que não estão sabendo demonstrar isso. Outra razão é que muitos pais também não conseguem entender o papel da frustração e temem não ser amados se não fizerem tudo pelos filhos. “Acabam criando pessoas que não se satisfazem com nada”, afirma Maria Irene Maluf. Numa situação com essa, a pedagoga aconselha tentar acalmá-la, abaixando-se para conversar na mesma altura que ela. Se não resolver, pegue a criança e leve-a para o carro, para casa, espere que ela se acalme e aí converse.

11. Quando não quer um objeto ou uma comida, meu filho reage jogando o prato ou o brinquedo longe. O que eu faço?

Preste atenção na maneira como você e sua família agem. Ataques de raiva não são privilégio das crianças, aliás, elas aprendem com os adultos. “Tive um paciente que costumava atirar o prato pela janela quando não queria comer. Depois de várias sessões em que os pais negavam que esse tipo de comportamento fosse comum em casa, descobri que o avô costumava agir assim quando estava irritado, jogando o que estivesse à mão pela janela do apartamento”, diz Maria Irene. Portanto, atenção: você está sendo vigiado e seus atos e palavras serão copiados por seus filhos. “A educação é para ser servida como exemplo e cobrada diariamente, minuto a minuto. Não adianta dizer uma vez ‘não faça isso’ e achar que é suficiente. É preciso repreender sempre, com uma voz firme e séria”, diz a pedagoga.

12. Na hora de brincar, meu filho prefere bonecas e roupas de menina aos carrinhos e roupas masculinas. Há algum problema nisso?

Segundo Vera, nenhum problema. “Brincar exercita a fantasia e é a forma de descarregar no mundo imaginário o que não podem fazer na vida real. Todos os meninos acabam brincando de boneca, que nada mais é que o exercício de cuidar, mesmo que o façam com o ursinho de pelúcia.”

13. Meu filho gosta de brincar de matar as pessoas. Por muito tempo, evitei comprar armas de brinquedo, mas ele transforma qualquer objeto em revólver. Devo manter a proibição?

Na opinião de Vera, as pessoas confundem o mundo da fantasia e a realidade. “Matar na brincadeira, como no videogame, é apenas uma maneira de lidar com a agressividade, podendo destruir de mentirinha. O que não pode é sair por aí batendo nos outros”, acredita ela.

14. Meu filho é muito tímido, tem vergonha de brincar com outras crianças. Como posso incentivá-lo a interagir com os outros?

Ser introspectivo, mais quieto, com poucos amigos, não é um problema, mas um temperamento, e faz parte da personalidade. “A extroversão também pode ser uma fonte de angústia. Os pais só devem se preocupar se a criança não consegue se relacionar, participar de brincadeiras coletivas ou não gosta de estar com outras pessoas”, explica Vera. Nesse caso, é preciso buscar a ajuda de um profissional. Mas, se é apenas timidez, é bom incentivá-lo a brincar com outras crianças, chamar os coleguinhas para passar a tarde na sua casa, deixar que ele faça seu pedido no restaurante, pequenos gestos que podem ajudá-lo a se comunicar melhor.

15. Às vezes, faço chantagem para convencer meu filho a tomar banho ou trocar de roupa. Estou agindo corretamente?

Tomar banho, escovar os dentes, sentar-se à mesa para comer e tomar vacina, segundo Vera, são obrigatórios. “Mas, por volta dos 2 anos de idade, por exemplo, a criança começa a reivindicar a posse sobre o próprio corpo, até então cuidado somente pelos outros. Uma sugestão para quando ela não quer tomar banho é fazer o jogo da autonomia, dando ferramentas e negociando: você compra uma esponja bacana, um sabonete especial e deixa que ela se lave sozinha, com sua supervisão. Em troca, uma vez por semana você dá aquele superbanho.” Na hora de se vestir, também é importante deixar a criança escolher. “Só não dá para deixar sair no calor com calça de veludo ou descalça no inverno.”

16. Quando saio com meu filho, ele sempre me pede para comprar algo (um brinquedo, por exemplo). Se não compro, ele faz um escândalo. Como devo agir?

Segundo Maria Irene, aos 2 anos de idade, a criança acredita que tudo é dela. Aí os pais a levam para um lugar encantador, como uma loja de brinquedos. Coloque-se no lugar do pequeno e imagine-se num lugar com tudo que você mais gosta sem poder levar quase nada. Para evitar a cena, ela recomenda conversar com o pequeno antes de sair de casa e definir se vai haver novas aquisições. Outra estratégia é: “O brinquedo custa o mesmo que a festa que eu daria no seu aniversário, o que você prefere? Você também pode sugerir que ela escolha vários e deixe para você decidir, fazendo uma surpresa depois”, diz Maria Irene Maluf.

Vera diz que, a partir dos 2 anos de idade, a criança já está ligada no que pode ou não comprar. “Fica difícil para ela aceitar porque para os pais também é muito complicado não poder consumir o quanto gostariam. E o pior é que muitas vezes, feridos no próprio orgulho e sentindo-se culpados por não estarem mais presentes, acabam cedendo e se atolando em dívidas.”

17. Quando saio para jantar fora, meu filho não para quieto na mesa. Fica correndo pelo restaurante e incomoda a todos. Devo repreendê-lo?

Sem dúvida nenhuma. “Quer coisa mais desagradável do que crianças gritando e correndo em volta da mesa de pessoas desconhecidas? E há pais que simplesmente não se mexem, acham que o mundo todo tem de tolerar a bagunça de seus filhos”, diz Silvia Amaral. Claro que não é preciso fazer um drama se eles derramarem a bebida na mesa, mas é preciso que saibam respeitar limites e isso se aprende em casa, todos os dias. “Os pais só devem levar os filhos a restaurantes se eles tiverem noções de conveniência”, acredita Silvia.

É muito importante também observar se o restaurante é indicado para crianças. “Um lugar com pouca luz, onde os casais vão para namorar, definitivamente não foi pensado para receber a molecada. O mais apropriado são restaurantes descontraídos, mas a simplicidade não é desculpa para deixar os pequenos se pendurarem nos lustres e se esconderem debaixo das mesas dos outros.”

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Uma Historia de Adoção e opinião



Foi junto às plantinhas que cresciam nas margens do Rio Nilo que aconteceu um caso de adoção muito bem relatado na Bíblia. Uma princesa egípcia decidiu assumir como seu filho o menino perdido, abandonado, num cesto que encontrara no rio. A sua mãe biológica ficou como sua ama.

Era adolescente quando a adoção foi formalizada passando a com a sua mãe adotiva, no palácio de Faraó. Chamou-lhe Moisés – que significa “tirado das águas”, nome que lhe recordaria para sempre a sua origem e o contexto sócio-político do tempo do seu nascimento.

Em Portugal a adoção foi introduzida no Código Civil no direito de família há três décadas. Reconhecida como uma iniciativa de todo louvável, a verdade é que entre nós tem-se desenvolvido e cimentado a ideia de se tratar de um processo moroso e difícil, impressão que não se mostra destituída de fundamento a avaliar pelos inúmeros testemunhos de tentativas frustradas de adoção ou longos períodos de espera que todos conhecemos e que vemos publicadas nos inúmeros sites por onde passamos.

Sabe-se que são mais de dez mil as crianças que no nosso país vivem em instituições, desprovidas de adequado suporte familiar, na vida de quem a adoção faria a grande diferença!

É bom lembrar aqui que embora deva ter um ambiente familiar, e seja de louvar todo o esforço que se faça nesse sentido, uma instituição de acolhimento, seja ela qual for, não é uma família. Não o é pela sua própria natureza, pelo número de pessoas que agrega, pela forma coletiva como, necessariamente, se organiza. Também não é uma família pela incapacidade inerente à própria criança de estabelecer e consolidar vínculos íntimos a um universo alargado de pessoas, ao invés de uma relação mais ilimitada e próxima.

A integração de uma criança numa instituição deve ser à partida transitória e tão breve quanto possível, só se admitindo de longo termo se esgotados todos os meios de encaminhamento para a integração numa família (seja de origem, de adoção ou de acolhimento)
Sabe-se que o perfil mais procurado para adoção são as crianças de idade não superior aos 4 ou 5 anos, de etnia branca, saudáveis. Esta preferência deixa de fora muitas crianças igualmente providas de condições para um processo de adoção bem sucedido e necessitadas de uma integração familiar. No entanto existem casais que não se importam de todo se a criança é de outra raça ou etnia, parecendo que a dificuldade é a mesma...

Trata-se de uma experiência extraordinariamente enriquecedora para a criança, e também para o casal. Era necessário que o processo fosse menos extenso, menos burocrático e muito mas muito mais eficiente.


Perante tudo isto só  quero deixar aqui um aparte: nós não escolhemos nem raça, nem cor nem a etnia, já mudamos a idade para 5, 6 anos e dissemos que nunca separaríamos irmãos, depois disso que mais podemos dizer.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

7 COISAS QUE VOCÊ NUNCA DEVE DIZER AO SEU FILHO NA HORA DAS REFEIÇÕES


Muitas dessas frases funcionam a curto prazo, mas podem criar traumas alimentares que se estendem por um bom tempo. Descubra se você fala alguma delas e veja como substituí-las corretamente

crianca_comendo (Foto: ThinkStock)
Você tenta, tenta e tenta e não adianta, seu filho vira a cara para qualquer pedaço de alimento que tenha a cor verde, amarelo ou laranja. Aí você invoca toda e qualquer paciência para explicar por que é importante que ele se alimente bem...e nada. E é aí, nesses momentos mais desgastantes, que você recorre às frases de efeito ou até pequenas ameaças. Mas será que só porque deu certo significa que é bom? A resposta é não!

Um estudo feito pelo departamento de psicologia da PUCRS decidiu entender como se forma o comportamento alimentar das crianças. Uma das conclusões foi que 96% dos pais davam ordem para conduzir a alimentação, o que favorecia o comportamento de oposição dos pequenos. “Se os pais forçam ou impõem algum alimento, a criança começa a associar àquele momento com pressão e aquela comida pode ficar para sempre marcada como uma coisa ruim”, explica a nutricionista Ligia dos Santos, do Hospital São Camilo (SP).

Para ajudar você a fugir dessas armadilhas que podem comprometer o paladar o seu filho, selecionamos algumas das frases mais faladas pelos pais na hora da refeição, mostramos por que elas nem sempre são bem-vindas e qual a melhor forma de lidar com a situação. Confira:

“Você só vai sair da mesa se comer tudo o que está no prato”

Não há nada mais prazeroso para os pais do que ver o filho comer tudo o que preparou para ele. Dá mesmo uma sensação de ‘dever cumprido’. Mas será que a quantidade que você colocou no prato é mesmo compatível às necessidades dele? “Os pais costumam fazer o prato de acordo com o que eles acham que é uma boa quantidade, só que essa estratégia pode prejudicar o controle da fome e saciedade e, a longo prazo, levar ao sobrepeso”, ensina Ligia. Quando o pai diz “come tudo”, ele está basicamente dizendo que aquilo que o filho sente não é relevante. Lembre-se de que as necessidades calóricas das crianças são menores do que a nossa. Isso significa que se o seu filho tomou um suco antes do almoço, pode ser que hoje ele não queira comer a mesma quantidade de ontem. O ideal é sempre confiar na criança quando disser que está satisfeita, sem forçar ou empurrar mais comida.

“Coma as verduras ou não nada de sobremesa..."
...ou “se você se comportar na casa da vovó amanhã, poderá comer bolo”. Esse tipo de barganha não é legal pelo simples fato de que alimentação não pode ser vista como recompensa ou punição. Ela não pode pensar que precisa passar pelo fardo de se comportar ou de comer alface só para ganhar a guloseima, que vai ser sempre vista como recompensa. “Essa estratégia pode ter um efeito imediato, mas é danosa para o desenvolvimento do paladar da criança e pode criar traumas que se estendem para a adolescência e vida adulta”, ensina a nutricionista. É só pensar quantas vezes você já soube de alguém que detesta banana, por exemplo, porque a mãe empurrava na infância. O melhor é explicar que as verduras são importante fonte de vitaminas, que elas o ajudarão a crescer de forma mais saudável e por aí vai...
“Seu irmão (ou primo, amigo, vizinho...) está comendo direitinho. Você devia aprender com ele”

Muitas pesquisas já mostraram que as crianças regulam certas atitudes com base no comportamento de semelhantes. Se o amigo come muita verdura, ele está vendo e pode ser até que faça algo parecido, mas você não precisa pontuar essas diferenças. A especialista observa que não se deve colocar a criança num contexto de inferioridade, mas ir na direção contrária, como reforçar que ela também é capaz de experimentar novos sabores. “Lembre-se de que os pais são os primeiros exemplos. Não adianta ficar só no discurso, é preciso mostrar para o seu filho que você também está comendo vegetais. A interação da família é muito importante na hora das refeições”, ressalta Ligia.

A nutricionista infantil Daniela Fagioli, da Associação Brasileira de Nutrição (ASBRAN), explica que essas frases só funcionam se vierem associadas a algo concreto. “Se a mãe disser ‘Coma alface para seu intestino funcionar bem’ é menos eficiente do que dizer ‘Se você comer a salada, a barriga não vai doer na hora de ir ao banheiro’. O ideal é sempre explicar tudo para a criança e associar a algo que esteja mais próximo dela, que ela entenda melhor”, diz.
“O que você quer que eu cozinhe para você hoje?”

Essa frase é especialmente ruim se for dita depois de um nariz torto ou careta para o que já está no prato em cima da mesa. Isso porque seu filho vai achar que tem domínio da situação e pode ser que ele use isso para testar seu próprio poder. Com a escolha nas mãos, ela sempre vai tender para algo de mastigação mais fácil e paladar agradável, como macarrão ou bife com batata frita. Para que isso não aconteça, Daniela ensina que os pais precisam se manter firmes para dizer que neste momento a refeição é aquela e pronto. E, claro, da outra vez tentar fazer a mesma cenoura da salada, só que cozida. “A criança precisa ter contato com o mesmo alimento por mais ou menos 12 vezes até ela dizer que realmente não gosta”, explica a nutricionista. Portanto, firmeza, paciência e persistência são as palavras de ordem aqui.

“Olha o aviãozinho”

Essa frase é tão exaustivamente usada que se tornou um clichê para a hora da alimentação infantil. No entanto, ela carrega um problema sério. Ao transformar a hora da refeição em uma brincadeira, a criança deixa de prestar atenção no alimento para focar na gracinha. E, como explica Daniela, é fundamental que a criança entenda que o momento da alimentação é importante e pode ser muito prazeroso, desde que ela preste atenção no gosto, no cheiro, textura e formato dos alimentos do prato.

”Você pode almoçar vendo televisão desde que coma tudo”

E, muitas vezes, as crianças nem precisam levar seus pratos até a sala para assistir à televisão, já que, em muitas casas, o aparelho também fica na cozinha. Porém, o problema é o mesmo do ‘aviãozinho’. “Se ela perde o foco da alimentação, vai comer sem prestar atenção e isso pode enveredar para dois caminhos opostos: desnutrição e obesidade, já que ela não tem controle sobre a forma como está comendo e sobre o que o seu corpo está lhe dizendo”, afirma a nutricionista da ASBRAM. A dica aqui é sempre fazer todas as refeições na mesa, afinal, além de tudo, é um momento divertido e que desperta a comunhão da família.

10 coisas que seu filho “normal” vai aprender da convivência com crianças especiais.

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Gostei dessa historinha acima porque ilustra bem o que eu considero inclusão bem feita: ela é boa para as duas partes.
Uma coisa que temos que ter em mente é que ninguém nasce sabendo. Nós sabemos o quanto aprendemos com nossos filhos especiais porque os temos, mas eu mesma tenho que admitir que não sabia lhufas sobre isso antes do Theo. Eu era como todos os outros: achava que crianças com necessidades especiais eram só um “peso”.
Pensando por esse lado, o melhor caminho para que outras crianças aceitem nossos filhos é mostrar esses benefícios aos pais delas. São eles que vão dizer a elas “não fique muito perto do fulaninho porque ele é estranho” ou “que legal esse seu amiguinho novo”! São esses pais que vão formar cidadãos que incluem e aceitam as diferenças ou pessoas preconceituosas.
Então, resolvi listar, aqui, 10 benefícios que uma criança neurotípica vai ter por conviver com crianças especiais. Sohar Dahini, querida, muito obrigada pela dica! E muito obrigada por me indicar o vídeo! Ainda vou falar mais dele por aqui! 
10 coisas que seu filho “normal” vai aprender da convivência com crianças especiais
    1. Vai aprender a aceitar melhor qualquer tipo de diferença e vai se tornar uma pessoa menos preconceituosa;
    2. Vai aprender a se colocar no lugar do outro por conviver com um coleguinha que tem dificuldades que ele não possui;
    3. Vai aprender que comunicação vai muito além do falar : é feita de gestos, olhares e até de silêncios;
    4. Vai aprender que pessoas com necessidades especiais não são vítimas: são heróis, porque tornam as outras pessoas melhores;
    5. Vai aprender que a vida vale a pena apesar das dificuldades;
    6. Vai aprender que estamos aqui para ajudar uns ao outros;
    7. Vai aprender a ser flexível: não existe só um jeito de brincar, de desenhar, de ser;
    8. Vai aprender  a lidar melhor com suas próprias limitações…e a querer superá-las;
    9. Vai aprender a dar valor às coisas pequenas;
    10. Vai aprender que ele não tem que saber o que fazer o tempo todo, mas que ele pode sempre aprender.

sábado, 26 de julho de 2014

EDUCAR E AMAR É NECESSÁRIO.


Quantos já não pensaram assim ou se tornaram o que pensou por falta de limites?
Se eu tivesse coragem...eu virava malandro....

Mas mamãe/papai, que deu um jeito de entrar dentro de mim, não deixa.
Ela nunca aceitou metade da minha alma.
Ela prefere um filho "quebrado" ao meio e obediente do que um filho inteiro mas insubmisso ao seu olhar, ao seu carinho e cuidado.

Você, pai/mãe, aceita seu filho por inteiro ou sua educação, apenas favorece aquele lado agradável, enquanto exclui de seu lar, aqueles aspectos incômodos que nasceram com ele?
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Cuidado, quando educamos, apenas, metade de uma pessoa, estamos criando filhos que mentirão para nós, além de desenvolverem um "falso EU" e consequentemente, eles vivenciarão essa metade de suas almas, na calada na noite, longe dos seus olhos esses pequenos monstros tomarão conta da sua cria. Os transtornos/os malandros surgem dessa dissociação interna onde "metade" da alma é amada e "metade" é odiada e não aceita dentro de casa.
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A educação ensina a transformar os vícios, sem recalcá-los. Integrar a sombra e não ocultá-lo, é torná-los íntegros. Ensine seu filho(a) a respeitá-lo e admirá-lo como exemplo. Diga mais eu te amo...

sábado, 28 de junho de 2014

A Excêlencia de ser MULHER: Rejeite Todo Espirito De Ciúmes da Sua Vida

A Excêlencia de ser MULHER: Rejeite Todo Espirito De Ciúmes da Sua Vida: O primeiro passo é desejar mudar, isso mesmo mulher, na maioria das vezes o homem começa a avisar “qualquer hora dessas dou um basta nesta s...

A Excêlencia de ser MULHER: Seu Casamento tem Goteiras

A Excêlencia de ser MULHER: Seu Casamento tem Goteiras: Há alguns versículos em provérbios que comparam a mulher que fala demaisao infortúnio de viver com os pingos de uma goteira caindo na test...

quinta-feira, 8 de maio de 2014

MÃES E FILHOS

Relação intensa entre mãe e filho

A figura da mãe dentro de uma família é tão importante que chega a superar a figura paterna. Talvez por isso a frase "mãe só tem uma". De acordo com o especialista, a presença da mãe representa a continuidade da vivência no útero. “Até os 3 anos de idade a criança se enxerga como uma extensão da mãe. Somente após essa idade e que o pai ganha espaço na personalidade do filho”, complementa o psicólogo. A ligação da mãe com o filho é mais intensa, pois foi no útero que o bebê recebeu seus primeiros cuidados, como a alimentação, calor, proteção e conforto. “É através do cheiro, da audição, do paladar que a criança se liga mais à mãe após o nascimento, pois foi dentro do corpo dela que ele sentiu essas primeiras sensações.

"O ato de oferecer o peito e mamar já é uma ligação forte entre os dois”, explica Alexandre.
Tempo X Afeto

Como administrar? Nos casos dos bebês, o ideal é que as mães permaneçam no mínimo duas horas com a criança. Em muitos casos, a ausência faz com que os bebês se identifiquem com quem cuida como avós e babás, e acabem naturalmente, rejeitando o colo da mãe. Outra dica, é aproveitar a hora de dormir para cantar para o bebê, já que no útero ele estava habituado a ouvi-la. Nas crianças com idade de 3 a 7 anos, é realmente importante que a mãe participe de brincadeiras com os filhos. A partir dessa idade até a pré-adolescência, a criança começa a entender e a sentir a necessidade da presença do pai, principalmente as meninas.

Uma mãe “ausente” sabe que deve redobrar seus esforços quando tem uma oportunidade de estar com seu filho. Prestar atenção redobrada em tudo o que ele tem prazer de fazer, estar sempre atenta a como ele anda na escola e seu desempenho, informar-se a respeito de como foi seu dia na escola e em casa (ou na creche) e, sempre que possível dar asas ao mais importante: realizar atividades recreativas ao lado dele. Passeiosbrincadeirasjogos e tudo que possa transformar esses poucos momentos em que estão juntos em momentos de intensa alegria e divertimento.
Nenhum dia mais propício do que O Dia das Mães para falar sobre a Importância das Mães para a formação da criança como indivíduo.

A formação de um adulto inteligente, feliz e bem integrado pode estar relacionada com o afeto recebido desde o nascimento.

Antigamente, as mães passavam para as filhas, ensinamentos como um "manual de instruções" para ser mãe e esposa. O que deveria fazer para cuidar da casa, do filho, do marido e como fazer. Hoje em dia, isso praticamente não existe mais.

As "mães de primeira viagem" embarcam nessa viagem sem noção do que devem fazer. Hoje em dia, incluidos na cultura narcísica em que vivemos, os pais aparecem cada vez mais desamparados e confusos, sem saber como supostamente deveriam criar e controlar seus filhos, procurando ajuda para as crianças, quando, na verdade, quem precisa de amparo, são eles.

Os pais esperam ver nos olhos dos filhos, o reflexo do sucesso deles mesmos. A perfeição da criança refletindo "como sou um ótimo pai", "como sou uma ótima mãe". E esse reflexo poucas vezes é visto. Por isso, os pais não sabem ao certo a hora de colocar limites, dizer um "não", frustrando sim, as crianças. Porém, uma frustração necessária para o crescimento. Ficam com medo, como se todo tipo de limite pudesse causar um trauma, porém, como se o trauma também não fosse estruturante.

Aumenta cada vez mais a chegada de pais totalmente perdidos em relação a suas funções nas clínicas psicológicas, procurando ajuda e muitas vezes, deslocando a responsabilidade e as frustrações que deveriam ser da mãe e do pai, para o profissional. Por exemplo, uma mãe chegar para a psicóloga com a criança, a pasta e a escova de dente e dizer: "Faça ele escovar os dentes, pois eu não consegui." Como se dissessem "faça o que eu não consegui fazer", "controle o meu filho". Nesses casos, é preciso acolher a família em sofrimento, frustrar para crescer, e lançar as decisões de volta. Os profissionais não podem decidir para os pais, o que é melhor para os filhos. É muito fácil estar na posição do "suposto saber", porém, esse papel de decisão só os pais podem ocupar. É preciso lançar de volta as perguntas: "O que VOCÊ acha disso? O que VOCÊ acha que deve fazer?" Sem esquecer que cada criança é um sujeito, e cada caso é um caso.

Saber dividir o afeto

Em muitos casos, as mulheres deixam os maridos de lado após o nascimento do primeiro filho. Para que a relação continue a dar certo, ela deve se dividir entre os cuidados com o bebê e a atenção ao marido, pois o primeiro passo para que o conceito família se estabeleça, é a união do casal.

Bater para educar?

Um ponto que gera discussão na educação dos filhos é o ato de bater para educar. Alexandre afirma que dar um tapa é diferente do castigo e poucas vezes faz mais efeito para a criança. “Jamais parta para violência, ela gera revolta e desunião do lar. Uma palmada de leve no bumbum pode servir como advertência. Muitos ainda acreditam que um tapinha de leve no dorso da mão é inofensivo, mas a mão da criança ainda possui ossos finos em formação, o que pode levar a uma fratura”, complementa o profissional. 

Educar se tornou mais díficil, e o tempo diminuiu.

Antigamente a relação mãe e filho era muito mais tranquila, já que as mulheres não precisavam trabalhar ou apenas trabalhavam na manutenção de seu lar. Mas, vivemos hoje um paradoxo incrível nas relações familiares. Com a correria dos dias, sempre sentimos que não temos tempo mais para nada e muitas vezes gostaríamos de ter mil clones. Hoje em dia este convívio está bem ameaçado, já que as mulheres nunca foram tão livres para trabalhar, construir uma carreira e lutar por um “lugar ao sol” no mercado de trabalho. Mas, toda essa possibilidade de sucesso muitas vezes prejudica a mulher no que, muitas vezes, lhe é mais caro: ser mãe. As mulheres estão tendo que sacrificar sua função e seu prazer de serem mães, para se dedicarem as suas carreiras e seu desenvolvimento intelectual e profissional em busca de um futuro melhor para seus filhotes, necessitam dividir seus afazeres do trabalho com a tarefa de ser mãe, esposa, dona de casa e ainda conseguir tempo para cuidar da saúde do corpo, beleza e ainda um tempinho para a diversão. Mas não podemos esquecer do principal: dos filhos. Esse excesso de compromissos, muitas vezes leva a mãe a não ter tempo suficiente para cuidar e dar a atenção necessária à criança, o que é muito prejudicial para a mesma.

Mãe Coruja
No entanto, sabemos que a relação entre mães e filhos deve ser o mais íntima e contínua possível. A presença da mãe é de fundamental importância para que a criança se sinta segura e amparada durante a sua exploração do mundo em seus primeiros anos de vida. Ser mães, esposa, dona de casa e ainda ter que ajudar no sustento da casa ou ter uma carreira de sucesso, podem exigir demais de uma mãe e de seus filhos. É de fundamental importância que, mesmo diante da separação inevitável do dia a dia, do cansaço extremo e de todos os afazeres diários as mães encontrem uma forma de dedicarem-se o maior número de horas possíveis aos seus filhos, para compensar o tempo que permanecem longe dos pequeninos.

“Prestar atenção ao que filho gosta de fazer, acompanhar seu desempenho na escola, alimentação e o mais importante, realizar tarefas ao lado da criança, sejam elas de lazer ou educação e responsabilidade”, alerta o psicólogo Alexandre Bez Alexandre, especializado em relacionamento na Universidade de Miami.

Atitudes de pequenos gestos, como falar com o bebê, favorecem a troca, pois esse ato de dedicação da mãe é correspondido pelo bebê na forma de expressões faciais ou corporais e podem ser perceptíveis pelos olhos atentos. É uma estimulação necessária para o desenvolvimento do cérebro, pois este precisa de exercício para se desenvolver. O desenvolvimento da inteligência à linguagem, da percepção de si, de seus sentimentos, reações e capacidades são habilidades propiciadas pela interação afetiva entre mãe e filho, que envolve sorrisos, olhares e movimentos corporais.

Estudos mostram que a presença da mãe é o ponto fundamental e crucial para o desenvolvimento da criança e formação do ser humano, é a partir de conceitos passados por ela que se desenvolverão habilidades tanto mentais, quanto físicas, sociais, psicológicas e até mesmo ambientais. A criança toma conhecimento da existência de sua mãe logo no útero, pois lá ela tem proteção, abrigo e nutrientes necessários para sua vida. Logo que nasce, o primeiro contato que tem é com sua genitora, a primeira voz que ouve é a dela e a primeira fome saciada é através do leite materno. Com tudo isso forma-se cada vez mais os laços entre mãe e filho, o que com o tempo vai se fortalecendo cada vez mais com os carinhos, amor, dedicação, sensações prazerosas como o de uma boa massagem para acalmar as cólicas.

A participação da mãe na vida do filho é algo muito importante, especialmente nos seus primeiros anos de vida. Mas, cada período vem com mudanças, o que não faz que a presença da mãe seja menos importante, muito pelo contrário, como o passar do tempo a criança vai se deparando ainda mais com dificuldades, descobertas fazendo com que ela precise cada vez mais do apoio, carinho e amor da mãe.

A harmonia da casa, o bom relacionamento com o marido e a satisfação própria como mulher devem caminhar juntos para um ambiente familiar saudável. “Estes conceitos estão presentes na formação caráter, que são responsáveis pelo desenvolvimento da responsabilidade e crescimento pessoal de cada ser”, afirma o profissional.

quinta-feira, 13 de março de 2014

CRISE DOS 2 ANOS NA INFÂNCIA

Criança demonstrando raiva e ameaçando agredir - Foto: Refat/Shutterstock.com

Por volta dos dois anos de idade a criança entra em uma fase conhecida comoadolescência do bebê, outerrible twos, em inglês. É quando começam as frequentes crises de birras e malcriações sempre que sua vontade é contrariada. Mesmo os mais bonzinhos e tranquilos surpreendem os pais com ataques de choro e gritos, se jogam no chão, agridem os amigos, batem a cabeça na parede, mordem, beliscam e dizem “não” a tudo que lhes é pedido.
Essa mudança no comportamento, em geral, ocorre entre 1 ano e meio e 3 anos de idade, embora não seja raro se estender até os 4 anos. Normalmente, este comportamento é observado diante das intervenções dos pais. “Deve-se ressaltar que o desejo de contrariar os pais parece ser uma constante na crise dos dois anos”, afirma Anne Tarine Veloso, psicoterapeuta especializada em Cognição e Neurociências do Comportamento.
Nem toda criança passa pelo período com este padrão de comportamento, embora todas estejam sujeitas, uma vez que a crise está associada ao desenvolvimento normal da criança. “É importante sublinhar que, neste mesmo período, algumas mudanças importantes estão ocorrendo, como um abrupto desenvolvimento cerebral. Por consequência, o aumento considerável na competência linguística, na organização do pensamento e na capacidade de exploração do mundo trazem uma percepção de autonomia e independência para tomar decisões ao seu modo”, explica Anne.

Como lidar com a adolescência do bebê?

A grande pergunta é: como os pais devem agir para evitar ou minimizar esse comportamento? Muitas vezes os pais acabam perdendo a paciência na hora da crise porque não adianta conversar, pedir, gritar, ameaças ou colocar de castigos. “A punição ou mesmo tirar a criança de perto de outras crianças faz com que demore ainda mais para passar essa agressividade”, explica a psicóloga infantil Adriana Trifone. “Na realidade não é agressividade pura e sim uma fase de aprendizagem onde a criança faz suas experiências e vê as diferenças entre uma ‘mordidinha de amor’ e outra mais forte que vai doer muito no seu amiguinho”.
Segundo a psicóloga, se os pais agirem com amor, afeto e respeito podem fazer com que esta fase seja mais rápida e menos dolorida. “Para a criança pequena é importante ter limites colocados de modo suave, mas com firmeza. A criança deve aprender que há coisas que pode fazer e coisas que não pode. Principalmente com o exemplo dos pais, aos poucos e com muita paciência é que a criança vai assimilando as regras, que devem ser claras. Elas só serão seguidas se forem entendidas e aceitas pela criança”, diz Adriana.
Na prática, quando a criança começa a espernear na fila de um supermercado, por exemplo, os pais precisam manter a calma. “Seja compreensivo. Mesmo que não ceda às exigências do seu filho não significa que não possa entender o porquê dele estar alterado” ensina a psicóloga Anne Tarine Veloso. Deve-se abaixar à altura da criança e conversar sem reforçar o mau comportamento.  “Não negocie no calor da crise, nesse momento você pode sentar-se ao lado da criança e esperar até que as coisas se acalmem, pode tentar abraçá-la, mesmo que ela não aceite bem o seu afeto, isso demonstra que ela pode esperar compreensão e amor. Lembre-se que isso é uma fase e vai passar”.

O que fazer quando a criança vai para a escolinha e está na fase da crise?

Geralmente, a crise dos dois anos de idade acontece na mesma época que a criança vai começar a frequentar a escolinha. Os pais, claro, temem problemas de socialização e agressões aos amiguinhos.
Na verdade, frequentar a escolinha nesse período difícil não é um problema. Ali, ela terá a oportunidade de conviver com outras crianças e aprender a interagir, ceder, dividir, o que pode fazer com que passe mais rapidamente pela fase.
Como nessa idade a criança ainda não tem maturidade para conviver em grupo e pensa ser o centro do mundo, no início a convivência em grupo será difícil e provavelmente haverá brigas pelo mesmo brinquedo, conflito e muito choro. Nesse momento, a intermediação dos professores deve ser rápida e não negociável. A escola pode ajudar tendo respeito à individualidade de cada criança e ter regras bem claras, sem contradições.

Dicas para enfrentar a crise dos dois anos do bebê:

Não use chantagens e ameaças. Dizer “se fizer isso não gosto mais de você” só irá deixar a criança mais triste, insegura, desconfiada, tensa e cada vez mais agressiva.
Não sobrecarregue a criança com uma rotina puxada. Atividades, cursos, creche, enfim, uma agenda ocupada da primeira à última hora do dia, além de produzir uma superestimulação, prejudica o próprio convívio social em família, o que facilita o surgimento das crises;
Encoraje a criança quando se sentir frustrada. Em qualquer sinal de frustração na realização de atividades ao longo do dia, ainda que seja o simples manejo de um brinquedo, é importante que o pai encoraje-o a continuar, com zelo e carinho. Oferecer ajuda, nestes casos, pode ser uma atitude que faz a diferença;
Incentive a independência de forma coerente. É importante estimular a criança a realizar tarefas sozinhas, desde que esteja de acordo com a sua capacidade;
Deixe que tomem pequenas decisões. Eles precisam entender que podem fazer algumas escolhas, como o sabor do sorvete ou a cor da camiseta nova. Porem outras não entram em negociação, como o uso da cadeirinha no carro e o horário de ir para a cama.
Observe o comportamento. É importante lembrar que a crise dos dois anos reflete um comportamento de exploração do mundo e os movimentos nessa direção podem ser bem vindos. Porém, se estiverem acompanhados de falta ou excesso de apetite, alterações no sono, sinais de maltrato no corpo, medo no enfrentamento de situações rotineiras e dificuldade de convívio e contato social, pode ser sinal de algum outro problema.
Entenda que é uma fase de aprendizado e mostre o caminho. Os pais precisam aceitar que seus bebês estão se tornando pessoas mais independentes, com opiniões, desejos e comportamentos diferentes. Esse é o momento em que estão descobrindo o mundo por seus próprios sentidos e nem sempre sabem o que estão fazendo. Os pais precisam estar sempre por perto sinalizando o que é certo ou errado, bom ou ruim.